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Tesla perde mais um líder e enfrenta onda de saídas

A Tesla anunciou a saída de mais um executivo sênior nesta semana, ampliando um movimento de perdas internas que já preocupa o mercado. José del Corral, responsável pela área de produto voltada à experiência do cliente, deixará a empresa após quase oito anos para assumir um cargo na Coinbase.

A saída ocorre no mesmo dia em que outro líder ligado à produção do projeto Cybercab também deixou a companhia, reforçando o que analistas já classificam como uma evasão significativa de talentos. Esse movimento tem reduzido o acúmulo de conhecimento estratégico em áreas-chave da empresa.

Del Corral anunciou a mudança em rede social, afirmando que passará a liderar a experiência do cliente na Coinbase. Segundo ele, a empresa de criptomoedas está entre as poucas com potencial para ajudar a reconstruir o sistema financeiro global.

Durante sua trajetória na Tesla, o executivo evoluiu de gerente sênior de experiência digital até liderar toda a operação de experiência do cliente. Sua atuação abrangia os principais pontos de contato com consumidores, como aplicativo, site e lojas físicas.

Esse setor tem papel central na Tesla. Diferentemente de montadoras tradicionais, a empresa vende diretamente ao consumidor, sem rede de concessionárias. Isso transforma a experiência do cliente em parte essencial da estrutura de vendas, e não apenas em um suporte.

A perda de liderança nessa área ocorre em um momento delicado. A Tesla enfrenta dois anos consecutivos de queda nas entregas de veículos e precisa recuperar competitividade para atrair novos compradores.

A saída de Del Corral não é isolada. Desde meados de 2024, a empresa acumula desligamentos em diversas áreas, incluindo finanças, engenharia, software, manufatura e vendas.

Também nesta semana, o líder de montagem do Cybercab, Mark Lupkey, deixou a empresa após quase oito anos. Ele é o terceiro executivo diretamente envolvido no projeto a sair em pouco mais de um mês, após Victor Nechita, gerente do programa, e Thomas Dmytryk, diretor de infraestrutura de atualizações remotas e robotáxis.

A lista de saídas recentes inclui nomes de peso, como Drew Baglino, veterano de 18 anos nas áreas de energia e powertrain, David Lau, chefe de software, e Milan Kovac, vice-presidente de engenharia e responsável pelo programa Optimus. A empresa também trocou quatro vezes o comando de vendas globais ou da América do Norte em menos de dois anos.

Outros desligamentos relevantes ocorreram em novembro de 2025, quando os gerentes dos programas Cybertruck e Model Y deixaram seus cargos no mesmo dia. Já Sendil Palani, vice-presidente de finanças que ingressou em 2009, também saiu após desempenhar papel crucial na obtenção de financiamento federal que viabilizou a fábrica de Fremont.

Atualmente, a Tesla não conta mais com gerentes originais responsáveis por nenhum de seus principais veículos em produção, incluindo Model 3, Model Y, Cybertruck e o próprio Cybercab.

Esse esvaziamento de talentos ocorre em um momento decisivo para a empresa. A Tesla deve divulgar em 2 de abril os resultados do primeiro trimestre de 2026, com expectativa de cerca de 365 mil veículos entregues. O número representa queda superior a 12% em relação ao trimestre anterior.

Para o ano completo, analistas projetam vendas de aproximadamente 1,69 milhão de veículos, crescimento modesto de 3,3% frente a 2025, quando a empresa já havia registrado desempenho abaixo do esperado.

Ao mesmo tempo, a Tesla tenta ampliar a produção do Cybercab na Gigafactory do Texas, expandir o serviço de robotáxi para novas cidades nos Estados Unidos e avançar no desenvolvimento do robô humanoide Optimus.

O desafio é executar essa estratégia ambiciosa enquanto enfrenta a saída contínua de profissionais responsáveis por construir as bases tecnológicas da empresa.

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