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Speedtest e Downdetector são vendidos por R$ 6,3 bilhões

A consultoria Accenture anunciou a compra da Ookla, dona do Speedtest e do Downdetector, por US$ 1,2 bilhão em dinheiro – o equivalente a cerca de R$ 6,3 bilhões. O acordo com a atual proprietária, a editora Ziff Davis, foi fechado nesta semana, mas ainda depende da aprovação das autoridades regulatórias.

No curto prazo, as plataformas continuarão a funcionar da mesma forma. Um porta-voz da Accenture disse que a operação do Speedtest e do Downdetector permanecerá inalterada, e as ferramentas seguirão disponíveis gratuitamente para testes de velocidade e checagem de quedas de serviços. Porém, mudanças importantes podem acontecer depois da conclusão do negócio.

A principal mudança é o destino dos dados. Os registros agregados de cerca de 250 milhões de testes mensais – e bilhões de amostras diárias das marcas que fazem parte do pacote – passarão a fazer parte do portfólio de inteligência da Accenture. Esses dados serão usados para ajudar clientes corporativos e órgãos públicos a planejar e escalar infraestruturas de inteligência artificial, melhorar serviços em nuvem e otimizar redes. Isso inclui aplicações como prevenção de fraudes, otimização de tráfego em lojas físicas e suporte a provedores de serviços de internet.

As marcas que vêm junto com a Ookla não são só o Speedtest e o Downdetector. O acordo engloba também o Ekahau – ferramenta usada para projetar e resolver problemas em redes Wi-Fi – e o RootMetrics, que monitora desempenho de redes móveis. A intenção da Accenture é combinar essas métricas com seus serviços para oferecer soluções voltadas ao mercado corporativo e a governos.

Para os usuários, o impacto mais imediato será possível atualização nas políticas de privacidade. Depois da compra, os dados agregados e o uso das informações estarão sujeitos às novas regras definidas pela Accenture, o que pode afetar como os dados são coletados, armazenados e compartilhados. Quem utiliza o Speedtest ou consulta o Downdetector deve ficar atento às comunicações oficiais e às páginas de privacidade das plataformas.

Do ponto de vista financeiro, a operação é um bom negócio para a Ziff Davis. A editora comprou a Ookla em 2014 por US$ 15 milhões e, em 2025, o negócio de conectividade registrou receita anual de cerca de US$ 231 milhões, com lucro líquido acima de US$ 76 milhões – números que tornam a venda um salto significativo em valor. A negociação também permite que a Ziff Davis volte a focar em suas marcas de mídia principais.

O que acompanhar nos próximos dias: a aprovação regulatória e os comunicados oficiais das empresas. Reguladores podem exigir condições ou mudanças, e a Accenture deverá detalhar como integrará os dados ao seu portfólio de serviços. Enquanto isso, as plataformas devem operar normalmente – mas com a garantia de que, no futuro, parte dos dados e das análises estarão a serviço de clientes empresariais e governamentais.

O Speedtest e o Downdetector não deixarão de existir, mas passam a fazer parte de uma estratégia maior, voltada ao uso de dados de rede para soluções de inteligência artificial e serviços corporativos. Usuários e empresas devem acompanhar mudanças nas políticas de privacidade e eventuais atualizações nas ferramentas assim que o negócio for concluído.

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