A Realme decidiu voltar a operar como submarca da Oppo após quase oito anos de atuação independente. A informação foi confirmada por representantes da empresa à imprensa chinesa, marcando uma nova fase estratégica para as duas fabricantes no mercado global de celulares.
Segundo fontes ouvidas pelo portal Lianxian Insight, a partir de agora Oppo, Realme e OnePlus atuarão de forma coordenada para oferecer produtos mais inovadores e serviços mais integrados aos consumidores em todo o mundo.
O CEO da Realme, Li Bingzhong, ficará responsável pelos negócios das submarcas. Os próximos lançamentos da Realme seguem mantidos conforme o planejamento original. A empresa também passará a utilizar integralmente o sistema de pós-venda da Oppo.
A decisão ocorre em um momento de forte pressão competitiva no setor. Dados da Academia Chinesa de Tecnologia da Informação mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, o mercado doméstico de celulares cresceu apenas 0,9%, indicando desaceleração significativa.
Além disso, o setor enfrenta aumento de custos. A Counterpoint Research estima que o preço de componentes de memória pode subir cerca de 40% antes do segundo trimestre de 2026, elevando o custo de produção entre 8% e mais de 15%.
O retorno da Realme também faz parte de uma estratégia de integração iniciada anteriormente com a OnePlus, que voltou ao guarda-chuva da Oppo em 2021. A ideia é reduzir concorrência interna, concentrar recursos e aumentar eficiência operacional.
História de independência
A Realme foi criada como submarca da Oppo em maio de 2018 e tornou-se independente em julho do mesmo ano. Desde então, construiu uma trajetória marcada por forte presença no comércio eletrônico e foco no público jovem.
A empresa entrou primeiro no mercado indiano e expandiu-se rapidamente para o Sudeste Asiático. No quarto trimestre de 2018, já ocupava a quarta posição na Índia e tornou-se a marca que atingiu 4 milhões de unidades vendidas no menor tempo.
Em apenas 37 meses, alcançou a marca de 100 milhões de unidades vendidas globalmente. Em novembro de 2023, ultrapassou 200 milhões. Em agosto de 2025, anunciou mais de 300 milhões de celulares vendidos no mundo.
Apesar da independência formal, a Realme sempre manteve vínculos operacionais com a Oppo, especialmente em produção, cadeia de suprimentos e assistência técnica.
Desafios da nova fase
Com o retorno, a Realme volta a contar com apoio direto da Oppo em áreas como pesquisa e desenvolvimento, canais de distribuição e suporte técnico. Por outro lado, terá de adaptar sua identidade de marca independente ao papel de submarca.
Analistas apontam que o principal desafio será evitar sobreposição de posicionamento com a OnePlus. A entrada da OnePlus em faixas de preço intermediárias aumentou a concorrência interna, especialmente em segmentos voltados para desempenho e jogos.
Ao mesmo tempo, a Oppo enfrenta seus próprios desafios. Após encerrar o desenvolvimento interno de chips, passou a depender de fornecedores como Qualcomm. Tecnologias antes exclusivas, como carregamento rápido e avanços em fotografia, tornaram-se comuns no setor.
Estratégia global
A movimentação também tem foco internacional. Dados da Canalys indicam que, em 2024, a Oppo liderou o mercado do Sudeste Asiático com 18% de participação. No México, registrou crescimento de 23%. No Egito, o avanço foi de 71%.
A Realme possui forte presença na Índia, seu maior mercado individual. Com a reintegração, a Oppo ganha reforço estratégico para expandir sua atuação global.
Especialistas avaliam que, no atual cenário de convergência tecnológica e margens mais apertadas, a união das marcas pode ser um movimento lógico. Resta saber se a soma de Oppo, Realme e OnePlus resultará em ganhos reais de competitividade ou se trará novos desafios de posicionamento.
O sucesso da nova fase dependerá da capacidade das três marcas de cooperar sem perder identidade e de equilibrar inovação, custos e diferenciação em um mercado cada vez mais disputado.