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Novo motor elétrico dispensa terras raras

A empresa emergente indiana Vimag Labs obteve sua quinta patente para um motor elétrico inovador. O equipamento funciona sem o uso de ímãs de terras raras, o que ajuda a contornar a atual dependência do mercado chinês. A tecnologia utiliza programas de computador e eletrônica de potência para gerar o campo magnético necessário para os veículos elétricos.

A maioria dos veículos elétricos atuais utiliza um motor síncrono de ímã permanente. Esse modelo tradicional depende de peças fixas de terras raras no rotor para produzir força de tração. A nova invenção, chamada de motor síncrono de ímã virtual, elimina totalmente esses materiais importados e mantém um formato sem escovas e sem anéis coletores.

O campo magnético do rotor é gerado e controlado em tempo real pelas placas eletrônicas e algoritmos. A patente cobre justamente essa arquitetura central do sistema. A empresa criadora afirma que a invenção iguala ou supera o desempenho dos modelos tradicionais, embora a capacidade de produção em larga escala ainda precise de verificação independente.

O projeto é o resultado de mais de 87.600 horas de engenharia, segundo Manish Seth, cofundador e presidente da companhia criada em setembro de 2025. Com essa recente aprovação, a fabricante soma cinco patentes concedidas. Outras dez patentes e 15 marcas encontram em processo de registro.

A companhia já realiza testes práticos com montadoras de veículos de passageiros e de duas rodas. O negócio recebeu recentemente um aporte de 5 milhões de dólares em sua primeira grande rodada de investimentos. Um memorando de entendimento com parceiros comerciais também foi assinado para apoiar a expansão. O foco inicial inclui sistemas industriais de 200 kW a 600 kW, além de aplicações em robótica, defesa e refrigeração.

A importância do projeto é explicada pela dependência global da cadeia de suprimentos. A Agência Internacional de Energia aponta que a China foi responsável por 91% do refino de terras raras e por 94% da produção de ímãs no ano de 2024. O país asiático possui apenas um terço das reservas mundiais, logo, seu domínio de mercado vem da etapa de processamento.

O governo chinês tem usado essa vantagem comercial ao longo do tempo. Em abril de 2025, o país impôs controles de exportação sobre sete elementos pesados de terras raras. A restrição forçou montadoras europeias e americanas a reduzir o ritmo de produção. Em outubro de 2025, uma nova regra tentou restringir qualquer produto estrangeiro com uma fração mínima de conteúdo chinês. Essa medida mais rígida foi suspensa em novembro de 2025 por um ano como parte de uma trégua comercial.

A pausa nas restrições não diminuiu a busca das montadoras por alternativas seguras. A empresa indiana não está sozinha nessa corrida industrial. Grandes fabricantes de automóveis investem alto em soluções semelhantes. A Tesla prometeu um motor sem terras raras no futuro, mas ainda não confirmou uma data exata de lançamento comercial.

Outras gigantes como General Motors e Stellantis apoiam empresas focadas na criação de ímãs limpos de nitreto de ferro. A fabricante Honda financia desenvolvedores de motores de relutância, enquanto a marca Jaguar aposta na reciclagem inteligente de materiais. Apesar dos altos investimentos mundiais, nenhuma fabricante possui uma unidade sem terras raras em produção em massa até o momento. Esse é exatamente o grande espaço de mercado que a nova invenção tenta conquistar.

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