A Justiça dos Estados Unidos suspendeu temporariamente a compra da empresa Warner Bros. Discovery pela concorrente Paramount. A decisão judicial ocorreu nesta segunda-feira (20) para analisar os impactos da operação no mercado. O negócio financeiro tem o valor estimado em US$ 110 bilhões, o que equivale a cerca de R$ 562 bilhões.
Uma juíza federal do estado da Califórnia assinou a medida de suspensão. A paralisação atende a uma ação legal movida por 12 estados americanos. O grupo de governos locais alega que a fusão das duas gigantes pode reduzir a concorrência e prejudicar o público que consome entretenimento.
Os procuradores afirmam no documento que a união criaria um conglomerado de mídia com muito poder. Essa nova companhia teria enorme facilidade para aumentar os preços cobrados por filmes e programas de televisão.
Outra preocupação da Justiça é a possibilidade de a Paramount começar a demitir funcionários e compartilhar informações de negócios antes de uma aprovação definitiva. Os estados acreditam que essas mudanças nas equipes seriam muito difíceis de desfazer caso a fusão seja proibida no futuro.
A Paramount divulgou o seu posicionamento e afirma que as autoridades interpretam as leis de proteção de mercado de maneira equivocada. A empresa argumenta que impedir o andamento do negócio prejudica milhares de trabalhadores do setor audiovisual que já passam por dificuldades.
Essa pausa nos tribunais também atrapalha o objetivo central da Paramount, que é ganhar tamanho para conseguir competir de igual para igual com as outras plataformas de vídeo pela internet.
O processo de aquisição enfrenta várias barreiras regulatórias desde o mês de fevereiro. O departamento responsável nos Estados Unidos chegou a aprovar o contrato, mas governos de outros países continuam investigando os riscos para a concorrência.
A comissão de mercado da Europa adiou a sua decisão para analisar as propostas de ajuste, enquanto o Reino Unido declarou que pode interferir na negociação para proteger as suas próprias empresas de comunicação.
Dentro do território americano, autoridades de locais como Nova York e Oregon lideram a oposição contra o negócio. Além da resistência política, profissionais que trabalham com cinema também criticam a união. Roteiristas, atores e proprietários de salas de cinema temem uma onda de desemprego e uma redução na quantidade de filmes produzidos.
A compra da produtora Warner pela Paramount é vista como uma das maiores negociações da história do setor. Se tudo for aprovado, a nova estrutura de mídia vai nascer com quase 200 milhões de clientes pagantes em todo o mundo.
O catálogo unificado vai juntar propriedades intelectuais muito famosas e lucrativas. A lista de propriedades inclui produções conhecidas, como os filmes de Harry Potter e do canal HBO, além dos heróis da produtora DC Comics.
O impacto dessa alteração no mercado ultrapassa o setor da ficção e atinge em cheio a comunicação social. A família que controla as ações da Paramount passaria a administrar algumas das principais e mais prestigiadas marcas do jornalismo americano, assumindo o controle de canais de notícias como a CNN e a CBS.