Um agricultor de 67 anos perdeu toda a sua plantação de gergelim na província chinesa de Anhui após seguir o conselho de uma IA. O caso reacende o alerta sobre os perigos de confiar totalmente em assistentes virtuais para decisões importantes.
O produtor rural perdeu dez hectares, o que equivale a 100 mil metros quadrados de área plantada. Ele usou um produto químico para combater pragas e ervas daninhas, mas as plantas começaram a murchar e morrer logo no dia seguinte à aplicação.
O agricultor usava um robô de bate-papo havia cerca de um ano para planejar o trabalho no campo. Como os primeiros resultados foram positivos, ele passou a confiar cegamente no sistema e deixou de consultar agrônomos e outras fontes especializadas.
O erro aconteceu quando o sistema recomendou o uso de um agrotóxico específico para limpar a área. O homem relatou a um jornal local que as pragas realmente morreram, mas as mudas de gergelim morreram de forma ainda mais rápida.
Especialistas agrícolas explicaram a um jornal britânico que o herbicida indicado não serve para esse tipo de cultivo. Se o produto for usado da maneira incorreta ou sem direcionamento, ele afeta gravemente o desenvolvimento de sementes como as do gergelim.
Um portal de ciências destacou que o episódio ilustra um problema chamado de alucinação digital. Os geradores de texto são treinados com grandes volumes de dados para imitar a linguagem humana, mas isso não garante que eles entreguem informações corretas na prática.
Muitas vezes, a inteligência artificial inventa dados e os apresenta de forma extremamente convincente. Um estudo internacional recente revelou que 45% das respostas desses sistemas apresentam alguma falha relevante para o usuário final.
A pesquisa também mostrou que quase 20% das interações contêm informações inventadas. Pessoas com menos acesso a ferramentas de checagem de fatos são as maiores vítimas e correm mais riscos de tomar decisões erradas e prejudiciais.
O uso sem supervisão dessas ferramentas já causou problemas de saúde no passado. Em 2025, uma revista médica relatou o caso de um homem de 60 anos que precisou ser internado após seguir dicas de alimentação elaboradas por um assistente virtual.
O paciente substituiu o sal de cozinha por brometo de sódio e desenvolveu uma intoxicação grave após três meses de consumo. Por isso, a recomendação geral é sempre buscar a avaliação de um profissional humano antes de colocar qualquer orientação digital em prática.