O Brasil e outros 28 países oficializaram nesta quinta-feira, 16 de julho, a criação da Organização Mundial para Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO, na sigla em inglês), em Xangai, na China. A nova entidade internacional busca descentralizar o desenvolvimento da tecnologia e garantir um acesso ético, seguro e voltado ao benefício humano. A iniciativa reúne diversas nações do chamado sul global, como Rússia, Indonésia e Cazaquistão.
A organização surge como uma alternativa ao atual domínio do mercado de inteligência artificial (IA) por empresas dos Estados Unidos. O objetivo principal é promover a cooperação tecnológica, estimulando ecossistemas de código aberto e o compartilhamento de boas práticas entre os membros. A entidade vai atuar em total alinhamento com a Organização das Nações Unidas, cujo secretário geral, António Guterres, esteve presente na cerimônia de fundação.
Atualmente, o setor tecnológico é liderado por corporações estadunidenses, como a OpenAI e a Anthropic. Essas empresas lançaram recentemente os modelos avançados GPT-5.6 e Claude Fable ou Mythos 5. No entanto, o avanço rápido gerou grandes preocupações de segurança cibernética. O governo dos Estados Unidos chegou a sugerir o adiamento e a retirada dessas ferramentas do ar por medo de acessos deliberados por invasores cibernéticos.
Para o governo brasileiro, a participação no acordo fortalece o debate sobre a governança da tecnologia e a cooperação internacional. A adesão dialoga diretamente com o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que prevê investimentos de R$ 23 milhões até o ano de 2028. O processo de entrada do país ainda passará por procedimentos internos para a aprovação final do acordo.
Um dos grandes focos do plano nacional é a construção de um supercomputador com capacidade para processar volumes gigantescos de dados. O projeto pretende dar suporte a modelos de linguagem em português que sejam treinados com informações nacionais. A partir dessa estrutura, a ideia é transformar o Brasil em uma verdadeira referência global no setor durante os próximos anos.