A saída de mais um executivo-chave da Tesla acende alerta sobre o futuro do Cybercab, projeto estratégico de veículo autônomo da empresa. Mark Lupkey, responsável pelas operações de manufatura e pela montagem do modelo na fábrica Giga Texas, anunciou sua saída após quase oito anos na companhia. Ele é o terceiro líder diretamente ligado ao programa a deixar a empresa em pouco mais de um mês.
Lupkey atuava na fase final de produção do Cybercab, incluindo validação e processos de montagem. Sua saída ocorre em um momento crítico, às vésperas do início da produção em escala, previsto para abril.
O movimento reforça uma sequência incomum de desligamentos em posições estratégicas. Em fevereiro, Victor Nechita, gerente do programa do Cybercab, deixou a empresa poucos dias após a primeira unidade sair da linha de produção. Já no início deste mês, Thomas Dmytryk, diretor responsável pelo sistema de atualizações remotas e pela infraestrutura de transporte autônomo, também se desligou após mais de uma década na companhia.
Em publicação nas redes profissionais, Lupkey afirmou que sua trajetória na Tesla foi determinante para sua carreira. Ele destacou participação em projetos importantes, como a produção dos modelos S, X e 3, além do Cybertruck, antes de assumir a liderança da montagem do Cybercab no Texas. Segundo ele, desafios considerados impossíveis tornam-se realidade na empresa quando há a equipe certa. O executivo informou que pretende dedicar mais tempo à família e a negócios pessoais.
O cenário geral preocupa analistas. Atualmente, a Tesla não mantém mais nenhum gerente original à frente de seus principais programas de veículos, incluindo Model 3, Model Y, Cybertruck e o próprio Cybercab. Os responsáveis pelos programas do Cybertruck e do Model Y deixaram a empresa no mesmo dia, em novembro de 2025.
As saídas ocorrem no momento mais sensível para o Cybercab. A empresa apresentou em fevereiro sua primeira unidade sem volante, e planeja expandir o serviço de robotáxi para cidades como Phoenix, Miami e Las Vegas até meados de 2026.
No entanto, a tecnologia de direção autônoma ainda enfrenta dificuldades relevantes. Dados indicam que a frota de robotáxis da Tesla em Austin registra um acidente a cada 57 mil milhas, desempenho cerca de quatro vezes inferior ao de motoristas humanos, cuja média é de um acidente a cada 229 mil milhas.
Além disso, oito meses após o lançamento do serviço, a operação ainda é limitada. A empresa mantém cerca de 200 veículos em circulação apenas em Austin e San Francisco, com disponibilidade restrita a menos de um quinto do tempo monitorado.
Esse conjunto de desafios técnicos e a perda de lideranças experientes levantam dúvidas sobre a capacidade da Tesla de cumprir seus ambiciosos planos para o Cybercab no curto prazo.